Quais as diferenças entre pregação e proclamação? Esse encontro é uma oportunidade para explorar esses conceitos de forma bíblica e prática, encorajando uns aos outros a desenvolver e aprimorar habilidades de expressão – quer para comunicação interpessoal ou pregação – em completa submissão ao poder do Espírito Santo.

O ENCONTRO EM UMA FRASE

A tarefa do evangelista é verbalizar o Evangelho, conforme revelado na Santa Palavra de Deus, pelo poder do Espírito Santo.

O CONTEXTO DO ENCONTRO

De acordo com a tradição, Agostinho disse certa feita:

“Pregue o Evangelho em todo o tempo; e se necessário, use palavras”.

Essa é uma citação popular para ilustrar a importância de viver uma vida marcada pelo Evangelho. Mas há dois problemas com isso. Em primeiro lugar, não existe nenhuma evidência de que Agostinho tenha dito isso – pelo menos, ele nunca escreveu isso. Em segundo lugar, e mais importante, este argumento não se sustenta. Embora seja verdade que nossa vida deveria demonstrar as boas-novas do Reino de Deus da mesma forma que nossas palavras, pregar o Evangelho é, por definição, um processo baseado em palavras. A frase poderia ser reescrita de uma forma mais relevante, como se segue:

“Pregue o Evangelho em todo o tempo; por ser necessário, use palavras”.

As palavras “pregar” e “proclamar” tem tudo a ver com a utilização de palavras – são declarações verbais. Você pode viver uma vida cristã perfeita, mas se você jamais articular esperança que tem em Jesus, como o mundo saberá a razão da sua vida ser como ela é?

“Permanecer em silêncio e deixar que os outros interpretem nossas ações é um erro; o próprio Deus não fez isso. Os pontos principais da ação redentora de Deus na História são acompanhados por revelação verbal”.

WILL METZGER

Pregar era crucial para espalhar o Evangelho, conforme registrado no Novo Testamento (Atos 2.14), embora haja pessoas hoje que creem que pregar está fora de moda e já não é mais a melhor forma de comunicar o Evangelho para o mundo. Certamente queremos ser criativos em nossa pregação e cativantes em nossa comunicação (talvez explorando novos caminhos de comunicação, como produção de filmes ou composição de músicas), mas a Bíblia compele os evangelistas a permanecerem firmes numa pregação que ajuda os ouvintes a compreender a mensagem, tendo a oportunidade de atender ao convite do senhorio de Cristo como um elemento central da tarefa de partilhar o Evangelho (1 Coríntios 1.21; 2 Timóteo 4.1-2; Marcos 1.17; Lucas 9.23).

Nem todo crente é chamado para ser um evangelista que pregam. Para a maioria dos crentes, evangelismo e testemunho pessoal se parecerão com conversas interpessoais, e esta será a forma principal do Evangelho ser verbalizado ou “proclamado” para outras pessoas. Seja como for, precisamos nos lembrar que, por mais que as palavras sejam essenciais para o evangelismo, elas não terão efeito sozinhas. Palavras ditas por alguém que vive de forma insubordinada soarão vazias e hipócritas, e palavras proferidas sem o poder do Espírito de Deus carecem do poder de Deus para trazer salvação a todos os que creem (Romanos 1.16).

Com isso em mente, o evangelismo deveria envolver três aspectos:

Proclamação: A forma pela qual explicamos quem Jesus é.

Demonstração: A forma pela qual evidenciamos em nossa vida quem Jesus é.

Convite: A forma pela qual apresentamos à pessoa a oportunidade de confiar em quem Jesus é.

GUIA DO ENCONTRO


COLOCANDO O PAPO EM DIA (10-20 MIN)

Separe um tempo para um bate papo entre o grupo, para partilharem histórias, encorajamento, feedback das oportunidades e qualquer outra coisa que sirva de encorajamento para o grupo. Peça a um ou dois voluntários para partilharem a sua apresentação do Evangelho (Encontro Três – Aplicação) e forneça um feedback. Não se esqueça de fazê-lo de forma positiva!

ORAÇÃO

Dedique esse tempo ao Senhor e ore pelas situações positivas ou desafiadoras que surgiram no tempo de bate-papo.

ENSINO (20-30 MIN)

Aborde o material de ensino a seguir da forma que desejar, seja lendo palavra por palavra, ou trabalhando dentro de sua própria apresentação.

“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. porque ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: ‘Como são belos os pés dos que anunciam boas novas!’”

ROMANOS 10.9, 13-15 (NVI)

Há muito dito na Bíblia acerca de proclamação: há pelo menos 33 palavras gregas diferentes que normalmente traduzimos como “pregar” ou “proclamar”. Nesta passagem de Romanos, vemos Paulo utilizando o verbo “pregar” referindo-se ao partilhar das boas novas. Para Paulo, a pregação é de vital importância, e ele diz para Timóteo continuar pregando, como prioridade em seu ministério (2 Timóteo 4.1-2). Vemos no Dia de Pentecostes (Atos 2) um exemplo de como Deus escolhe usar a pregação para conduzir pessoas à fé nele – milhares foram salvos não apenas por ver sinais e maravilhas sobrenaturais (línguas de fogo, falar em línguas estrangeiras), mas por ouvir a proclamação cheia do Espírito feita por Pedro.

A palavra grega de onde obtemos a palavra “evangelismo” significa essencialmente proclamar as boas novas – uma atividade inerentemente verbal. Mas pregar pode ser interpretado como algo fora de moda na cultura atual, com a preferência por “amizades” ou métodos de evangelismo “pessoal”, onde conversas baseadas em relacionamento são o foco principal. Alguns dispensam a necessidade de uma dinâmica verbal quase que completamente, e preferem testemunhar apenas com suas ações, com atividades missionárias baseadas em torno de projetos de ação social, como um método por meio do qual o amor de Deus é revelado. Além do mais, conforme a pergunta de Paulo em Romanos, se os crentes nunca oferecerem uma explicação da fonte de nossas ações amorosas para o mundo, ou da esperança que temos, como alguém poderá conhecer a verdade acerca de Jesus e desejar confiar nEle como Senhor?

Diálogo: Se sabemos que a proclamação é importante para a tarefa de um evangelista, como nos asseguramos de que a mensagem do Evangelho foi comunicada de forma clara o suficiente para que os ouvintes a compreendam e tenham uma oportunidade de responder de forma significativa ao que ouviram? Qual é a parte desempenhada pela pregação?

A melhor opção para o nosso evangelismo não é estar entre um “e/ou” das opções acima, mas reconhecer o valor de uma abordagem diversificada, que reflita nossa própria diversidade. Apesar disso, utilizar nossas próprias palavras é essencial.

Quer estejamos nos envolvendo em uma comunicação pública (como a pregação) ou pessoal (como uma conversa), sempre há formas de desenvolvermos a clareza da nossa mensagem. Conhecer nossos ouvintes e seu contexto é importante, à medida que nos ajuda a pensar melhor nas ilustrações ou nos pontos de conexão que possam ajudá-los a compreender o que estamos partilhando. Por exemplo: se estamos pregando o Evangelho para um grupo de adolescentes, podemos utilizar palavras diferentes e pontos de conexão cultural que não usamos numa conversa pessoal com um idoso. A mensagem do Evangelho não muda, mas a forma como a articulamos, as ilustrações que utilizamos e as referências culturais que empregamos podem ser adaptadas à pessoa que está diante de nós. Resumidamente, o que pregamos não muda, mas como pregamos muda.

É por isso que nos prepararmos para partilhar o Evangelho é parte importante do nosso caminhar cristão. Se confiarmos apenas no mesmo velho jargão para comunicar o Evangelho cada vez que nos levantamos para pregar, há uma grande chance de nos tornarmos pregadores ultrapassados e preguiçosos. Se nos apoiarmos sempre no mesmo método de apresentação do Evangelho, provavelmente não atrairemos diferentes tipos de pessoas em conversas que as ajudam a descobrir Jesus. Em primeiro lugar, devemos iniciar nossa preparação em oração, pedindo que Deus fale através de nós por meio de Seu Espírito, e nos dê as palavras certas. Também devemos estar preparados para comunicar o Evangelho de formas diferenciadas, levando em consideração as pessoas com quem possamos ter contato.

Diálogo: Dê uma olhada nas formas de verbalizar o Evangelho a seguir e pense em maneiras de aplicá-las em suas oportunidades de evangelismo. Como essa preparação pode ser um ato de adoração?

Devemos proclamar:

  • Claramente: Clareza é o principal objetivo de uma boa comunicação. Para explicar claramente, precisamos ter um bom entendimento do Evangelho, conhecendo-o numa profundidade tal que possamos apresentá-lo com precisão e simplicidade.
  • Espiritualmente: Para que corações mortos sejam revividos pela mensagem do Evangelho, o Espírito de Deus precisa estar agindo – então, nossa pregação deve estar submissa ao poder do Espírito para essa ta-refa.
  • Em amor: Não estamos conquistando pessoas para nossas próprias ideias e sabedoria, mas para a reali-dade singular de Jesus Cristo. Devemos pregar com humildade, mostrando respeito para com aquele acer-ca de quem pregamos (Deus) e com compaixão por aqueles a quem pregamos (com potencial para se tor-narem filhos de Deus).
  • Corajosamente: Humildade não anula a ousadia com que oferecemos a verdade do Evangelho. Podemos falar com convicção e confiança na verdade de nossa mensagem, enquanto o fazemos de forma amável, gentil e humilde.
  • Exclusivamente: Cristo deve ser apresentado como o Único diante dos outros, e permanecer sendo o foco central de nossas conversas relativas ao Evangelho.
  • Pessoalmente: Podemos demonstrar a verdade do Evangelho demonstrando o impacto que teve em nossa própria vida, edificando pontes para os ouvintes e suas circunstâncias.

Quer estejamos falando numa conversa ou pregando em um púlpito, devemos ter esses pontos em mente. Mas, uma característica fundamental para uma oportunidade de conversa pessoal é saber escutar. Devemos estar sempre prontos para escutar atentamente aqueles a quem nos dirigimos. Não espere simplesmente a sua vez para começar a falar; faça boas perguntas em resposta ao que você ouviu; seja inquiridor, mas não mal educado; e não sinta que precisa responder todas as perguntas que você receber, nem refutar cada ponto com o qual você não concorda. Conversas são jornadas, e normalmente desconhecidas. Assim como na maioria das jornadas para lugares desconhecidos, precisamos de um mapa para nos ajudar a encontrar o caminho. Escutar atentamente a pessoa com quem você conversa haverá de fornecer o mapa, e no tempo certo o destino se tornará mais claro para aqueles com quem você conversa (Veja os encontros sobre Evangelismo Pessoal e Evangelismo Pr aticado Com Ouvidos Atentos no Ano Três para mais detalhes).

Por mais úteis que essas características possam ser para a nossa proclamação, é importante lembrar que não há articulação habilidosa que possa conduzir alguém para o Reino de Deus, somente o próprio Deus pode fazer isso. Nossa comunicação precisa permitir que o Espírito Santo atue com poder. No último encontro, vimos o compromisso de Paulo em conhecer e pregar a história de Jesus em 1 Coríntios 2. Nos versículos seguintes, Paulo prossegue partilhando seu compromisso em proclamar a história de Jesus no poder do Espírito, para que a fé pudesse repousar em Deus e não na argumentação humana:

“Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus”.

1 CORÍNTIOS 2.4-5 (NVI)

Desejamos adorar a Deus em espírito e em verdade (João 4.23), e nosso evangelismo não deveria ser diferente. Declaramos Sua verdade no poder do Espírito como adoradores, dando testemunho acerca daquele a quem adoramos, para que outros possam vir a adorá-lo.

DISCUSSÃO EM GRUPO (20 mins)

  1. A pregação ainda é relevante nos dias atuais?
  2. Quais são seus pontos fortes e pontos fracos como comunicador?
  3. Como você se prepara para uma apresentação do Evangelho, em comparação a uma conversa a respeito do Evangelho? Você aborda o conteúdo de forma diferente?
  4. Qual o papel do ouvir em sua proclamação?

‘A diferença entre uma boa pregação e uma pregação excelente geralmente é principalmente o atuar do Espírito Santo…Deveríamos nos preocupar em aprimorar nossa comunicação e deixar com Deus o como e com que frequência Ele tornará essa comunicação excelente para os ouvintes.’

TIM KELLER

APLICAÇÃO (5 MIN)

Encontre um vídeo do YouTube de uma conversa sobre o Evangelho que você possa avaliar, tanto em seu estilo, quanto em seu conteúdo. Peça ao grupo para assistir o vídeo entre os encontros, fazer anotações, e estarem preparados para conversar sobre ele no próximo encontro, talvez utilizando as seis dicas deste encontro como um referencial para avaliar alguns dos aspectos positivos e/ou negativos da apresentação do Evangelho.

ORAÇÃO

Orem em conjunto para que o Espírito de Deus atue através de sua humilde oferta de comunicação. Agradeça a Deus por tê-lo escolhido como boca de Sua mensagem e peça Sua ajuda para viver o Evangelho de forma autêntica, de forma que as palavras de sua boca não estejam dissonantes com o estado do seu coração. Orem por aqueles que ouvirão a mensagem – para que Deus prepare esses corações e os conduza a um patamar de revelação, a partir do qual poderão optar por confiar nele.

PRESTAÇÃO DE CONTAS (15 MIN)

Dediquem algum tempo, em duplas, discutindo sua própria atitude para com a comunicação no evangelismo. Será que você têm deixado de lado a boa preparação para as oportunidades de evangelismo público ou pessoal? Ou quem sabe tem evitado verbalizar o Evangelho para uma abordagem somente de ações? Sejam honestos uns com os outros sobre onde deveriam resetar um pouco no tocante a verbalizar as boas novas e comprometerem-se em oração diante de Deus.

Completem os formulários de prestação de contas, partilhem em duplas ou grupos pequenos e orem uns pelos outros.