Há muitas inibições que os cristãos enfrentam para partilhar o Evangelho, mas talvez três se destacam de forma especial:
- Incapacidade por temor aos homens
- Incapacidade por falta de habilidade ou chamado
- Desqualificação por pecado ou falhas
Você se reconhece em algum destes itens? A resposta a esses problemas na igreja tem sido frequentemente apresentar um método de explanação do Evangelho que tornará mais fácil começar conversas de forma gentil e intencional (temor aos homens), ajudará a cumprir a tarefa do evangelismo (habilidade) e ermitirá que qualquer um participe (chamado ou desqualificação). A ideia faz sentido: se podemos fornecer um método suficientemente eficiente, isso levará mais pessoas a se tornarem mensageiros da mensagem.
MÉTODO MENSAGEIRO MENSAGEM
Mesmo assim, enquanto essa abordagem possa levar a alguns resultados positivos, o equipar e encorajar para o evangelismo que se apoia numa metodologia mecânica nunca deveria ser encarado como ideal. O poder do evangelismo não está em um método, mas na verdade contida na mensagem do Evangelho.
Podemos colocar muita ênfase no método, sendo capaz de corrigir a inibição do mensageiro e a ignorância do mundo, quando essas coisas são, na verdade, tratadas de forma melhor pela maravilha e pelo poder do próprio Evangelho, por sua verdade pura e sua realidade em ação na vida do mensageiro.
O método é útil, certamente, mas precisa encontrar seu lugar apropriado.
REORGANIZADO:
MENSAGEM MENSAGEIRO MÉTODO
Leonard Ravenhill disse corretamente que “qualquer método de evangelismo irá funcionar se Deus estiver nele”. Isso levanta a pergunta-chave:
Como você tem certeza de que Deus está nesse método? Você se assegura de que Deus está no mensageiro.
E como você se assegura de que Deus está no mensageiro? Você começa com a mensagem – o próprio Evangelho.
MENSAGEM
Não começamos com o Evangelho apenas no treinamento de evangelismo, para que o compreendamos bem o suficiente a ponto de podermos contar ao mundo a seu respeito (por mais importante que isso seja). Começamos com ele, reafirmamos, e voltamos a insistir nele reiteradamente, porque sem sua verdade, a luz em nossas vidas, de forma individual e comunitária, desaparecerá.
Quando investimos tempo para falar do Evangelho, explorar sua verdade, lutar com suas complexidades, nos maravilhar com sua beleza, nos deleitar em sua esperança, responder ao seu convite ao arrependimento, e viver em sua realidade, somos transformados. Nossa mente se torna mais capaz de expressar com simplicidade a as profundezas do Evangelho. Nossa vida é refinada à imagem daquele que está no centro do Evangelho. Nosso coração é movido na direção daqueles que ainda não conhecem o Evangelho.
Colocando de forma simples, o melhor treinamento e encorajamento para o evangelismo é encontrado em conhecer profundamente o Evangelho. Por meio de sua verdade e poder, nos tornamos mais do que pessoas com uma mensagem entregue por um método; nós nos tornamos a encarnação viva da mensagem (2 Coríntios 5.17-21)
MENSAGEIRO
O filme 2017, indicado ao Oscar de 2019, conta a história de dois soldados que são enviados numa missão arriscada, a de entregar uma mensagem de vida e morte para um dos fronts de batalha da Primeira Guerra Mundial. Esses soldados mensageiros arriscam sua vida para levar a mensagem para aqueles que a precisavam ouvir, para que pudessem ser salvos da morte certa.
Deveríamos enxergar nosso papel como mensageiros do Evangelho da mesma forma, saindo da segurança das trincheiras de nossa igreja e partindo para o campo de batalha com a nossa mensagem (de fato, para alguns ao redor do mundo, há vários perigos reais no evangelismo). Mas o lugar onde essa analogia do mensageiro falha é no impacto da mensagem nos próprios mensageiros. No filme 1917, os soldados primeiro carregam a mensagem em nome da sua missão, depois mais tarde por causa da urgência, sabendo que poderia salvar vidas. Mas a mensagem em si não tem impacto neles como pessoas; apenas a missão em que se engajam.
Muito mais que apenas portadores de uma mensagem de vida e morte, somos a encarnação viva do que essa mensagem é. Ela é transformadora. De fato, à medida que somos transformados por nosso conhecimento e experiência do Evangelho, e submissão à sua verdade, temos a esperança para superar qualquer desafio que o evangelismo apresente, não pelo método, mas pelo poder da própria mensagem.
Incapacitado pelo medo? Deixe o Evangelho da paz capacitá-lo a viver em liberdade (2 Tm 1.7).
Incapacitado pela fraqueza? Deixe a autoridade do Evangelho capacitá-lo além das suas limitações (2 Co 12.9).
Desqualificado pelo pecado? Deixe o Evangelho da salvação restaurá-lo para o relacionamento com Deus e qualificá-lo para servir ao propósito do reino dele (Mt 5.14-16).
Deixe o Evangelho trazê-lo à vida e deixe essa vida ser vivida como um mensageiro da esperança do Evangelho, em palavras e ações.
MÉTODO
Tendo nos comprometido em falar, lutar e conhecer mais profundamente o Evangelho, podemos começar a discernir de forma mais apropriada quais recursos estão disponíveis, e utilizá-los de forma eficiente em cada contexto. Para deixar claro, o método aqui significa uma forma simples de explicar ou explorar o Evangelho, em vez de técnicas dentro do evangelismo, como fazer perguntas, ouvir bem, fazer oração, etc.
A melhor abordagem para falar com alguém dos princípios das boas novas será sempre um profundo conhecimento do Evangelho – com a mente e o coração – para que em qualquer conversa você possa saber como fazer conexões da verdade maravilhosa do Evangelho com a vida da pessoa com quem está falando. Revelar a Palavra de Deus, que é viva e ativa, como sendo verdade para vida dessa pessoa, para que nossos amigos, vizinhos, colegas ou desconhecidos possam receber o Evangelho como pessoas, e não como alvos de um certo método; para que eles vejam o Evangelho como a mensagem de vida, porque estão conversando com alguém realmente vivificado pelo poder desse Evangelho.
Com tudo isso em mente, esses métodos do Evangelho podem ser ferramentas brilhantes para o evangelismo em diferentes contextos, à medida que edificam sobre o alicerce do Evangelho que já temos em nossas vidas.


